IMG-20190526-WA0017.jpg

Por graça de Deus nasci e cresci num lar cristão. Meu pai, Rev. Nelson França, atuava desde antes do meu nascimento como presbítero da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração (Santos) no campo da Congregação de Praia Grande. Um ano após meu nascimento a congregação foi organizada em igreja, a Igreja Presbiteriana de Praia Grande, quando então passou a ser pastoreada pelo Rev. Luiz Roberto França de Mattos. Fui batizado no dia da organização da IPPG. Três anos depois, meu pai sentiu-se chamado ao Ministério da Palavra e foi encaminhado ao Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, onde estudou de 1992 a 1996. Após sua ordenação, assumiu o pastorado da IPPG, por ocasião da saída do Rev. Luiz Roberto com o objetivo de cursar seu doutorado nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2019 completaram-se 22 anos desde que meu pai assumiu o pastorado da referida igreja.

Cresci no contexto da IPPG. Frequentei assiduamente as aulas da Escola Bíblica Dominical toda a minha infância, adolescência e idade adulta. Casei-me aos 21 anos com a Mara Regina Muniz França, a qual conheci na fase da adolescência na igreja.

 

Até meus 22 anos nunca me sentira chamado para o pastorado. Embora na adolescência tenha experimentado algo especial quanto às missões em Conferências Missionárias promovidas na igreja. Lembro de uma oportunidade, por volta dos 14 ou 15 anos, quando tive a experiência de me sentir atraído para o trabalho missionário. Lembro-me de orar a respeito e ler alguns livros sobre o assunto. Porém, esse despertamento logo foi arrefecido e segui o caminho natural dos meus amigos; continuei estudando, fiz curso técnico, faculdade, trabalhei, casei e nunca mais passou pela minha mente servir a Deus nessa área.

 

Contudo, em meados de 2010, aos 22 anos, comecei a sentir-me chamado para servir a Deus integralmente no ministério pastoral. Nessa fase de buscar compreender o que estava acontecendo em meu coração, fui eleito para a vice-presidência da União de Mocidade Presbiteriana (UMP) para o ano seguinte. Vi nisso uma oportunidade de envolvimento com pessoas e desenvolvimento de liderança.

 

Em 2011, o presidente da UMP, meu amigo Tiago Salzmann, precisou mudar-se para uma cidade distante, e tive que assumir suas atribuições. Foi quando comecei a dar aulas para os adolescentes na Escola Bíblica Dominical, dirigir estudos bíblicos semanais para os jovens, e conduzir os trabalhos em geral da UMP. Todas essas experiências vieram a confirmar que Deus me queria trabalhando integralmente em sua obra.

 

Neste mesmo ano apresentei-me ao Conselho, manifestando meu desejo de ser encaminhado ao seminário. Minha disposição foi muito bem recebida, e fui encaminhado ao Presbitério de São Vicente, que me recebeu como candidato ao Sagrado Ministério por volta de setembro daquele ano.

 

No ano seguinte, 2012, após aprovação no vestibular, saí da empresa onde trabalhava e comecei meu curso no Seminário JMC no período diurno. No meio do ano nasceu minha primeira filha, Rebeca, e pouco depois fui convidado pelo Conselho da IPPG para começar um ponto de pregação no bairro Ocian, em Praia Grande. Aceitei prontamente. Então, no dia 28 de outubro de 2012, fomos enviados – minha esposa, a pequena Rebeca e eu – para começar esse trabalho.

 

Com pouca ou nenhuma experiência, comecei a lecionar na Escola Bíblica, dirigir o culto público e pregar no âmbito do novo ponto de pregação no dia 04 de novembro de 2012. Desde então, sigo à frente do trabalho, que hoje é uma congregação que conta com 59 membros, sendo 8 não comungantes, além de cerca de 20 frequentadores.

 

No meio do ano seguinte à implantação do ponto de pregação, 2013, fui eleito presbítero na IPPG, mas atuando exclusivamente na implantação da nova igreja.

 

Formei-me no seminário em 2015, e em janeiro de 2016, o Presbitério de São Vicente resolveu aprovar minha ordenação e tive designação para servir como pastor auxiliar da IPPG, a pedido do Rev. Nelson, bem como do Conselho. A cerimônia de ordenação ocorreu no dia 21 de fevereiro de 2016.

 

Nunca fechei meu coração para o trabalho missionário transcultural, embora não tenha me inclinado para isso. Creio que por providência de Deus fui sendo encaminhado para a implantação da nova igreja em Praia Grande. Porém, no início deste ano, 2019, senti-me, como no princípio, quando fui chamado para o ministério pastoral, chamado para o ministério transcultural. Passei a ler mais a respeito, e pesquisar acerca da APMT.

 

Após conversar com os presbíteros que hoje atuam comigo na Congregação Ocian, decidi fazer um módulo do CFM para avaliar minha própria disposição, orar e obter mais informações que pudessem colaborar para a tomada de decisão.

 

Fiz o primeiro módulo entre os dias 11 e 15 de março com o Rev. Maurício Rolim, e ao longo das aulas fui compreendendo que estava exatamente onde Deus queria que eu estivesse. Deus havia me mostrado o próximo passo, e eu havia obedecido. Entendi, que assim seria, passo a passo.

 

Quando no início das aulas o Rev. Maurício perguntou aos alunos a respeito do chamado e das perspectivas de ministério transcultural, fui sincero em dizer que não tinha nenhuma convicção a respeito, e que algo extremamente insipiente se passava no meu coração a respeito do continente europeu. Nesse momento, o professor disse que o Uruguai, mesmo sendo latino americano, é um campo muito semelhante à realidade europeia.

 

Na quarta-feira daquela semana, pedi à turma que orasse por mim e minha esposa, pois estava planejando conversar com ela na quinta à noite a respeito do que se passava naquela semana e minhas novas perspectivas.

 

A conversa aconteceu. Expus à Mara meu desejo de fazer o curso completo do CFM, pois até então eu estava indo para fazer uma experiência; falei a respeito do meu desejo de seguir para um campo transcultural; e por fim falei sobre o Uruguai como uma possibilidade remota.

 

A Mara não esboçou animação sobre o assunto. Pelo contrário, mostrou-se bastante reticente. Mas, embora eu tenha ficado um tanto frustrado com a conversa, logo compreendi que se Deus nos quisesse no campo transcultural, ele próprio trabalharia no coração da Mara. Então, continuei a orar e rogar a Deus por sabedoria.

 

Ao longo dos dias da semana seguinte aproveitei algumas oportunidades e falei novamente sobre o assunto com a Mara. Aos poucos fui percebendo que o obstáculo não seria intransponível. Logo estávamos planejando como organizaríamos as agendas para ela poder fazer o módulo Vida e Caráter do Missionário, exigido das esposas, e também como poderíamos participar do Estágio Transcultural.

 

Com o apoio da minha sogra, a dona Vera, pudemos estar presentes todos os dias das aulas do módulo, entre os dias 25 e 29 de março. Considerando que a viagem é de aproximadamente duas horas de casa até o local das aulas do CFM, tivemos bastante tempo para conversar sobre muitas coisas. Percebi que ao longo da semana Deus foi atuando no coração da Mara e ela foi percebendo de modo mais claro que todos os cristãos são chamados por Deus para o serviço do seu reino, e que Deus poderia estar nos chamando para fazer o que já fazemos em outro lugar do mundo.

 

Na última viagem que fizemos juntos, entendi que seria oportuno colocar para a Mara o próximo passo que precisaria ser dado, e solicitar dela uma resposta a respeito. Disse que o próximo passo seria apresentar-nos à diretoria da APMT para a primeira entrevista, e que para isso precisaria, antes, conversar com o Conselho da IPPG e solicitar carta de apresentação do Presbitério. Ela concordou que eu poderia seguir nessa direção.

 

Resolvi então solicitar uma reunião com o Conselho para tratar do assunto e a convidei para estar comigo a fim de que os irmãos percebessem que havia apoio da parte dela. Ela aceitou estar comigo. Nessa reunião os presbíteros manifestaram alegria em tomar conhecimento da nossa decisão.

 

Tendo o consentimento do Conselho, solicitei carta de apresentação do Presbitério, depois de conversar pessoalmente com o presidente e o secretário executivo, que semelhantemente manifestaram alegria em tomar conhecimento a respeito da nossa disposição.

Atualmente, estamos cursando o CFM e cumprindo todos os pré-requisitos da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais. Nosso projeto é para o Uruguai, a nação menos evangelizada da América do Sul.

Contamos com sua parceria em oração e contribuição, se Deus dispôr seu coração a isso.

Rev. Nathan Ferreira França

Junho de 2019