• Nathan França

A encarnação do Filho de Deus


Catecismo Maior de Westminster – Pergunta 37: Sendo Cristo o Filho de Deus, como se fez homem? Resposta: Cristo, o Filho de Deus, se fez homem tomando para si um verdadeiro corpo e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo, no ventre da virgem Maria, da sua substância e nascido dela, mas sem pecado (Jo 1.14; Lc 1.31,35-42; Hb 4.15; Hb 7.26)

A própria Tri-unidade de Deus já é em si mesma um grande mistério. Admitir que no Deus único e verdadeiro subsistem três pessoas distintas — Pai, Filho e Espírito Santo — é uma matéria fé na revelação bíblica, não resultado da observação racional de um fenômeno corriqueiro. Se a Tri-unidade de Deus é difícil de assimilar, como então acreditar que a terceira pessoa, o Espírito Santo, desceu sobre uma mulher virgem e envolveu-a com poder para conceber em seu ventre a segunda pessoa, o Cristo, Filho de Deus (Lc 1.35)?


Coisa como essa jamais se viu antes ou depois desses acontecimentos. Ninguém acreditaria nessa história em circunstâncias comuns. Como, então, podemos hoje acreditar em tudo isso? Creio que é possível crer nessa história por 2 vias, embora apenas uma delas seja realmente eficaz.


A primeira é a via da racionalidade. Qualquer pessoa no mundo é capaz de concluir que Jesus existiu e foi capaz de, com sua mensagem e com as coisas que realizou durante três anos, alterar o curso do mundo e transformar até mesmo a contagem dos anos no calendário ocidental. Creio que isso, por si só, é capaz de levar alguém a crer que ele não era como qualquer outro homem. Porém, devo admitir que a via da racionalidade é ineficaz.


A segunda é a via da . Diga-se de passagem, que, distinguir a fé da razão, não implica em diminuição ou subordinação de uma à outra. A fé bíblica não é irracional. A fé bíblica é uma fé suprarracional, ou seja, está acima da razão. Ela se fundamenta na observação dos fatos e nos dados históricos verificáveis, e também, admite a existência de um Deus soberano capaz de realizar eventos miraculosos. Segundo a Escritura, a fé é um discernimento suprarracional possibilitado pelo próprio Espírito Santo, o qual realizou em Maria a encarnação do Filho de Deus. Em 2 Coríntios 2.14 lemos: “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente”. A via da fé, portanto, é a única via eficaz para nos convencer a respeito do tema em tela.


Embora seja uma terrível humilhação para o Filho de Deus fazer-se homem, percebamos nisso, pela fé, o tamanho do seu amor por nós, pobres criaturas caídas no pecado, carentes de perdão. Assumir a natureza humana de uma vez para sempre é um ato de amor muito grande, que revela também a altíssima dignidade que temos nele quando nos unimos a ele pela fé.


Nathan F. França

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