• Nathan França

A Páscoa e o Corona Vírus

Atualizado: 17 de Abr de 2020


A Páscoa foi instituída por Deus quando Israel estava no Egito. Antes de enviar a décima praga, Deus ordenou que seu povo se reunisse em famílias para celebrá-la. Cada família deveria tomar para si um cordeiro sem defeito, macho de um ano, imolá-lo no crepúsculo da tarde, tomar o seu sangue e passar nos batentes da porta. Depois, deveriam comer a carne do cordeiro assado no fogo, com pães sem fermento e ervas amargas. Cada membro da família deveria participar da refeição estando pronto para sair, como se estivesse com pressa. Deus deu essas ordens, porque naquela noite ele passaria pelo Egito e mataria todo primogênito das casas onde não houvesse o sinal do sangue nos batentes da porta. Tal celebração deveria ser realizada pelo povo de Deus uma vez por ano, para sempre, a partir daquele dia. Cada família deveria contar para seus filhos, no dia determinado, a cada ano: Este rito “é o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou por cima das casas dos filhos de Israel. No Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas” (Êx 12.27).

Séculos depois, João, o Batista, anunciou a respeito de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Podemos entender que ainda haverá uma noite terrível em que Deus ajustará as contas com a humanidade, por causa dos seus pecados, e só sairão livres os que tiverem suas vidas marcadas com o sangue do Cordeiro que ele mesmo ofereceu em nosso lugar.

Três anos após João Batista começar a dizer que Jesus era o Cordeiro de Deus, durante a celebração da Páscoa de Jesus com seus discípulos, ele tomou o pão e disse “tomai, comei; isto é o meu corpo”, e depois, tomou um cálice e disse “bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos para remissão de pecados” (Mt 26.26-28). Com isso, Jesus, o Cordeiro de Deus, estava acrescentando maior significado à Páscoa e instituindo uma nova forma de celebrá-la.

Desde o início, a Páscoa significou a manutenção da vida do povo de Deus por meio do sangue de um cordeiro sacrificado. Celebrar a Páscoa, hoje, significa muito mais do quando foi instituída. Hoje reconhecemos que Jesus é o Cordeiro oferecido por Deus para nossa salvação – por meio do seu sangue temos vida. Esse é o verdadeiro significado da Páscoa, cuja celebração é realizada todas as vezes que nos reunimos em torno da mesa do Senhor e comemos o pão e bebemos o cálice, juntos, como família de Deus.

Em essência, não celebramos a Páscoa uma vez por ano, mas sim todas as vezes que celebramos a Santa Ceia do Senhor. Por isso, neste feriado de Páscoa, em 2020, quando em razão da pandemia do Corona Vírus (Covid-19), fomos privados do Culto Especial de Páscoa e da celebração da Santa Ceia, lembremos: o Cordeiro já foi morto, o sangue dele já foi derramado sobre nossas vidas, já fomos libertos da morte por causa do seu sacrifício em nosso lugar. Adoremos, pois, a ele, o Cordeiro ressurreto, que vive para sempre e que já nos deu o seu reino eterno.

Estamos privados momentaneamente do sacramento (Páscoa/Santa Ceia), mas jamais seremos afastados da realidade espiritual que ele representa: a vida eterna nos foi dada por Deus através do sacrifício único e perfeito de Jesus.


Nathan F. França

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo